Em agosto de 2022, chamaram meu nome no palco do Digitalks Expo.
Mais de 8 mil profissionais no evento. O Prêmio ABRADI Digitalks Profissional Digital, a maior premiação do setor digital brasileiro. Categoria Negócios. A mais disputada da edição. Por votação popular: o mercado escolhe, depois de júri técnico definir os três finalistas.
Eu travei por dois segundos.
A Giuliana estava comigo. Olhei pra ela antes de subir, sem acreditar e extremamente anestesiado.

Não porque não trabalhei por isso. Mas porque eu não tinha trabalhado para isso.
Dez anos antes
Em 2012, fundei a GREEKy como escola de marketing em São Paulo.
Não havia plano de ganhar prêmio. Havia um princípio simples: só ensinar o que se opera. Só falar sobre o que se faz de verdade, dentro das empresas, com pressão de resultado real.
Rodei o Brasil em circuito nacional. Mais de 20 estados. Mais de 30 mil profissionais em palestras, eventos e cursos presenciais. Em paralelo, fui abrindo a empresa para atender clientes, operar campanhas, fechar vendas, construir sistemas de marketing do zero.
Ensinava de manhã e operava à tarde. Às vezes ao contrário.
Ninguém faz isso porque é fácil. Faz porque acredita que quem só fala sem operar perde o fio. E quando perde o fio, o aluno percebe. O cliente percebe. O mercado percebe.
O que o campo ensina que a plateia não ensina
Existe uma diferença enorme entre conhecer o mercado digital por dentro e por fora.
Quem está de fora vê tendência, lê relatório, apresenta slide. Quem está dentro sabe que o CRM do cliente está pela metade, que o comercial não segue o funil, que a verba de mídia foi cortada na quarta e a campanha precisa rodar até sexta.
Essa diferença não aparece no portfólio. Aparece no resultado.
E resultado, com o tempo, acumula. Acumula em casos reais, em números que não foram inventados para proposta, em clientes que renovam porque viram acontecer.
Foi esse acúmulo que chegou ao palco em 2022. Não foi o discurso. Foi o campo.
Por que o voto popular importa
O Prêmio ABRADI tem uma etapa de júri, que define os três finalistas por categoria. Depois, votação popular: o próprio mercado escolhe o vencedor.
Esse detalhe importa.
Não é um comitê decidindo quem tem o currículo mais bonito. É a comunidade de profissionais digitais do Brasil dizendo: esse aqui é referência. Esse aqui opera de verdade.
Para uma empresa que nunca investiu em autopromoção como estratégia, ser reconhecida por votação do mercado tem um peso diferente. Significa que o trabalho chegou antes do discurso.

O momento da entrega:
O que esse prêmio não mudou
No dia seguinte, acordei e fui trabalhar.
A GREEKy não virou uma empresa diferente por ter um troféu na prateleira. O modelo continuou o mesmo: operar junto com o cliente, responder por número, não sumir depois da entrega.
O que o prêmio fez foi confirmar uma hipótese que eu já tinha: mercado reconhece quem fica. Não quem aparece uma vez e some. Não quem faz barulho por 30 dias e esfria. Quem fica, opera, aprende e volta melhor.
Catorze anos depois, a GREEKy tem mais de 1.000 negócios atendidos no Brasil, cinco prêmios nacionais e segue em campo: marketing, tecnologia e vendas, lado a lado com quem atende.
Nenhum conquistado de fora do jogo.
A lição que fica
Se você está construindo uma empresa, uma carreira ou uma reputação no digital, a pergunta que vale não é "como faço pra ser reconhecido?"
É outra: estou operando o suficiente para que o reconhecimento faça sentido quando vier?
Troféu sem campo é decoração. Troféu com campo é prova.


